“O personagem de Adèle é de uma geração em
que escolher a identidade do sexo é, cada vez mais, uma questão natural: este é
um ponto central do filme.
Um filme de formação que narra a trajetória de uma adolescente passando
à idade adulta e dura três horas. Com uma mega sequência de dez minutos
absolutamente extraordinária em sua beleza na qual duas atrizes jovens e lindas
transam apaixonadamente à luz de velas fazendo as amantes protagonistas da
história, incansáveis, com direito a gritos, palmadas, êxtases e muita
transpiração. Uma Palma de Ouro em Cannes concedida pela unanimidade do
júri e entregue por Steve Spielberg com elogios rasgados ao diretor e a essas
duas atrizes, coisa raríssima: a única mulher a receber o premio, no passado,
foi a neozelandesa Jane Campion (de O piano). E um cineasta
nascido na Tunísia, cidadão francês, filho de operário na construção civil, que
vive com a família em Belleville, bairro popular multiétnico de Paris, a
mulher, a atriz Ghalia Lacroix e sua co-roteirista, e dois filhos gêmeos.
Mais: um tiroteio de lamúrias, queixas, acusações e insultos logo após
os beijos e abraços no palco do palmarès, na Croisette, trocados entre
uma das duas jovens atrizes, Lea Seydoux - herdeira da família proprietária da
Pathé, a legendária empresa de cinema francês, e membro do clã milionário dos
Schlumberger, da indústria do petróleo - e Kechiche, o diretor do filme.