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Empresas de Blu-ray se negam a produzir Azul é a Cor Mais Quente

O filme contém classificação indicativa de 18 anos no Brasil (Divulgação)
"A Imovision, distribuidora do filme, denunciou que a Sonopress e a Sony Dadc se recusaram a fazer o serviço por considerar o conteúdo inadequado

Revista Fórum 

Pela página oficial no Facebook, os responsáveis pela distribuição do filme Azul é a Cor Mais Quente no Brasil anunciaram que nenhuma empresa de Blu-ray aceitou replicar a obra. A notícia foi divulgada na noite de segunda-feira (24) e já atingiu mais de mil compartilhamentos na rede social.

 Segundo a Imovision, as empresas Sonopress e Sony Dadc se recusaram a produzir o filme porque consideram o conteúdo inadequado.

Azul é a cor mais quente (2013), de Abdellatif Kechiche: nasce uma atriz brilhante


O personagem de Adèle é de uma geração em que escolher a identidade do sexo é, cada vez mais, uma questão natural: este é um ponto central do filme.

Léa Maria Aarão Reis, Carta Maior

Um filme de formação que narra a trajetória de uma adolescente passando à idade adulta e dura três horas. Com uma mega sequência de dez minutos absolutamente extraordinária em sua beleza na qual duas atrizes jovens e lindas transam apaixonadamente à luz de velas fazendo as amantes protagonistas da história, incansáveis, com direito a gritos, palmadas, êxtases e muita transpiração. Uma Palma de Ouro em Cannes concedida pela unanimidade do júri e entregue por Steve Spielberg com elogios rasgados ao diretor e a essas duas atrizes, coisa raríssima: a única mulher a receber o premio, no passado, foi a neozelandesa Jane Campion (de O piano).  E um cineasta nascido na Tunísia, cidadão francês, filho de operário na construção civil, que vive com a família em Belleville, bairro popular multiétnico de Paris, a mulher, a atriz Ghalia Lacroix e sua co-roteirista, e dois filhos gêmeos.

Mais: um tiroteio de lamúrias, queixas, acusações e insultos logo após os beijos e abraços no palco do palmarès, na Croisette, trocados entre uma das duas jovens atrizes, Lea Seydoux - herdeira da família proprietária da Pathé, a legendária empresa de cinema francês, e membro do clã milionário dos Schlumberger, da indústria do petróleo - e Kechiche, o diretor do filme.

A vênus tocada

Adèle e Léa, amor e dor inerentes às paixões / Divulgação

“Kechiche se diz numa armadilha ante uma França condenatória

Orlando Margarido, CartaCapital

Azul É a Cor Mais Quente

Abdellatif Kechiche

Abdellatif Kechiche assume que tem falado movido pela raiva. Disso se arrepende, mas não de ter realizado um dos filmes mais controversos da safra recente ao retratar o amor homossexual entre duas jovens. “Este debate está em torno do filme, não nele”, ressalva em conversa com CartaCapital

Polêmico e premiado, Azul É a Cor Mais Quente estreia na sexta 6 com o título da história em quadrinhos francesa que o inspira. No mais recente Festival de Cannes, onde ganhou a Palma de Ouro, era La Vie d’Adèle (A Vida de Adèle). É o nome da protagonista e de sua intérprete, Adèle Exarchopoulos. O diretor achou por bem manter a coincidência e dar mais solidez à personagem.

Não parece ter sido escolha auspiciosa. Desde Cannes, Kechiche é contestado quanto às cenas de sexo, anódinas para ele, entre as jovens atrizes também premiadas no festival. A parceira de Adèle no drama, Léa Seydoux, no papel de Emma, acusou o cineasta de envolvê-las em um processo sádico para chegar a um resultado sem limites. Técnicos e seu sindicato também reclamaram das condições forçadas de trabalho. Às vésperas da estreia na França, o diretor queixou-se do olhar influenciado que a plateia teria e preferiu não fazer lançamento. “Disse-me arrependido de chegar até ali, mas foi outro de meus momentos de tensão. Tem havido muitos devido a uma atriz capciosa e tola, que não mediu o estrago de suas palavras. O filme ficou sujo por causa dela e isso me deixou perturbado.”

Léa, herdeira dos poderosos grupos cinematográficos Pathé e Gaumont, não acompanha as turnês, mas sua colega sim. Adèle veio a São Paulo com Kechiche e adota maior discrição. “Pena a discussão ter ficado circunscrita a polêmicas. É um filme sobre amor, não homossexualidade, e se há dor, é comum a paixões.” Ela discorda da colega? “Foi difícil, mas parece que mais para ela. Não sabíamos até que ponto Kechiche nos exigiria, e penso que nem ele.” O tunisiano ecoa as opiniões de sua atriz. “Sinto que caí numa armadilha preparada por mim mesmo.” Quando lembrado de que havia um voyeurismo de outro apelo, também perturbador, no seu filme anterior Vênus Negra, considera a aproximação bela e analisa: “Acho que ainda não se pode mexer em certos preceitos na França”.