O samba desconstruído de Cacá Machado


Refinado mas “acessível”, Cacá fez no
disco uma espécie de trabalho experimental
com o samba / vicente de mello/divulgação
Primeiro disco solo do artista tem participação especial de Elza Soares, Ná Ozetti, Arrigo Barnabé e Zé Miguel Wisnik

Xandra Stefanel, RBA

Cacá Machado dedicou 20 de seus 40 anos à arte: é pesquisador e historiador na área musical, escritor, curador de exposições, produtor musical e compositor de trilhas sonoras. Dessa experiência toda resulta seu primeiro álbum solo Eslavosamba, lançado pela Ybmusic⁄Circus Produções.

Refinado, mas “acessível”, Cacá fez no disco uma espécie de trabalho experimental com o samba. Ele chamou Guilherme Kastrup (produção) e Rômulo Fróes (direção artística) – amigos abertos à proposta de “desconstruir” o ritmo nacional – com quem organizou o repertório de 13 músicas. Depois uniram-se a eles Kiko Dinucci, Rodrigo Campos, Swami Jr., entre outros.

Além de tocar violões, guitarra e teclado, Cacá canta em quase todas as faixas. Sim, a primeira do disco é um samba apaixonado e malandro interpretado por Elza Soares e Zé Miguel Wisnik. Há um equilíbrio perfeito entre a voz serena dele e a de leoa dela. Outra voz feminina de Eslavosamba, Ná Ozetti empresta sua delicadeza a Casual, uma história de amor que começa sem querer e tem até uma citação ao parceiro da cantora – “Depois que a gente ia no Pompeia ver Tatit (...)”.

Ao som de atabaques, Juçara Marçal e Arrigo Barnabé dão vida a Valsa Lunar, de sonoridade afro. A baiana Márcia Castro encarna o ritmo de Divino Flerte, um samba-pop que dá vontade de dançar instantaneamente. Celso Sim canta Funâmbulo e Noite Branca e Rômulo Fróes, Violeta.

O nome Eslavosamba pode até ter surgido como uma brincadeira pelo fato de alguns parceiros no disco terem nomes difíceis – Eduardo Climachauska, Arthur Nestrovski, Vadim Niktin e Zé Miguel Wisnil. Mas mais do que isso, o título se segurou porque Cacá descobriu a etimologia de eslavo, palavra que remete a escravo. Neste caso, escravo do samba, que é ora escravo, ora senhor com poder de desconstruir o ritmo.

Perfil

Em seu site, Cacá Machado se apresenta como músico e historiador e diz que “se equilibra na corda bamba da criação artística e acadêmica”. Ele desenvolve pesquisa sobre história e música para seu pós-doutorado no Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP), onde também é professor visitante. É autor dos livros O Enigma do Homem Célebre: Ambição e Vocação de Ernesto Nazareth (IMS, 2007), Tom Jobim (Publifolha, 2008) e organizador de Todo Nazareth: Obras Completas (Águas Fortes, 2011).

É compositor, violonista e produtor musical de trilhas sonoras para cinema, televisão e, principalmente, para teatro. Cacá foi responsável pela produção musical de dois álbuns de Arthur Nestrovski, Jobim Violão (Biscoito Fino⁄Gaia Discos, 2007) e de Tudo o que Gira Parece a Felicidade (Gaia Discos, 2008), este último feito para o Projeto Cidadança, de Ivaldo Bertazzo e Inês Bogéa (sobre o qual a Revista do Brasil fez uma reportagem).

Eslavosamba pode ser comprado nas lojas ou baixado gratuitamente na sessão de discos do site de Cacá Machado: http://cacamachado.net.

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