'B-stylers': conheça os japoneses de 'alma negra'

Da BBC Brasil 

"Em sua carreira como fotógrafa, a holandesa Desiré Van Den Berg desenvolveu um especial interesse na cena noturna e expressões culturais fora do comum. Por isso, quando encontrou um vídeo no YouTube sobre japoneses que fazem o possível para se parecer e agir como negros americanos, ela se automaticamente se interessou pelo assunto.
"Já estive na Ásia muitas vezes e passei um ano morando e viajando por lá e sei que o desejo de ter uma pele escura vai contra o ideal de beleza asiático. Então, sabia que os jovens daquele vídeo estavam fazendo algo bem exótico para os padrões japoneses", diz Van Den Berg à BBC Brasil.

"Pesquisei na internet e tentei achar fotos sobre eles, mas não encontrei. Então, pensei que este poderia ser um dos projetos mais importantes da minha carreira se tivesse a chance de ir ao Japão."

A oportunidade veio em dezembro passado, quando a fotógrafa viajou à Tóquio e conheceu Hina, uma jovem japonesa adepta deste estilo. Ela foi então apresentada a este submundo da cultura japonesa, o B-Style.

Van Den Berg conta que estes jovens vão além das roupas que eles escolhem vestir. Os "b-stylers" gostam de ter uma pele mais escura, graças a sessões de bronzeamento artificial ou maquiagem, frequentam cabelereiros administrados pela comunidade africana, usam lentes para fazer seus olhos parecem maiores, ouvem hip-hop e frequentam clubes e shows deste gênero musical, falam gírias americanas.

"É uma comunidade muito pequena. Você não os vê facilmente na rua. É preciso procurar por eles", diz.

Foi justamente o que Van Den Berg fez – e você pode conferir o resultado desse esforço na galeria acima.

A jovem Hina foi a porta de entrada da fotógrafa Desiré Van Den Berg para a cultura B-Style. Foi estranho quando conheci os 'b-stylers' porque alguns deles não parecem ser japoneses, mas também não diriam que eles parecem ser negros. É um meio termo", diz ela. (Crédito: Desiré Van Den Berg)
Hina trabalha em uma loja dedicada a este estilo, a Baby Shoop, que tem como slogan a frase "negro para a vida toda" - daí veio o nome da série de fotografias feitas pela holandesa. "Os 'b-stylers amam esta parte da cultura americana e usam gírias do inglês quando falam japonês, como terminar uma frase com 'man'", afirma a fotógrafa. (Crédito: Desiré Van Den Berg)
Além das roupas que usa, Hina usa lentes para que seus olhos pareçam maiores e, assim como outros "b-stylers", gosta de exibir uma pele mais escura, graças a sessões de bronzeamento artificial e maquiagem. "Fiquei surpresa que existiam salões de bronzeamento no Japão já que o desejo de ter uma pele morena é algo bem incomum nesta parte do mundo." (Crédito: Desiré Van Den Berg)
Mesmo assim, diz Van Den Berg, Hina ainda se comporta como uma jovem japonesa típica. "Apesar de parecer durona, ela é muito amigável, doce, humilde e gentil. Ela agia como qualquer menina japonesa: era muito educada e me pedia desculpas o tempo todo", afirma. Van Den Berg conta que todos os outros "b-stylers" que conheceu se comportavam de forma similar. (Crédito: Desiré Van Den Berg)
Muitas pessoas tendem a considerar racista este estilo, segundo Van Den Berg. "Concordo que se vestir como um negro não é necessariamente a mesma coisa que ser negro. Mas os 'b-stylers' vêem a beleza da raça negra e a admiram tanto que criaram toda uma cultura em torno dela." (Crédito: Desiré Van Den Berg)
Apesar de buscarem um estilo bem distante do estereótipo japonês, os "b-stylers" não rejeitam a cultura do Japão, segundo Van Den Berg. "Eles comem comida japonesa, falam japonês e vivem no Japão", ela diz. "Mas eles não gostam de algumas coisas típicas da cultura japonesa, como anime [como é chamado o típico desenho animado feito no Japão], porque são inocentes e pop demais. Eles preferem imitar os rappers americanos." (Crédito: Desiré Van Den Berg)
Os "b-stylers" organizam seus próprios eventos, onde jovens dançam break, ouvem hip-hip e R&B enquanto artistas locais destes gêneros se apresentam no palco. "Estes eventos atraem principalmente japoneses. Foi muito interessante ver eles reunidos em um lugar só", afirma Van Den Berg. (Crédito: Desiré Van Den Berg)
Os "b-stylers" pareciam genuinamente surpresos de encontrar alguém que veio de tão longe só para conhecê-los, como Van Den Berg. "Eles reagiam com curiosidade quando eu pedia para entrevistá-los e fotografá-los. Um ex-b-styler inclusive me levou para passear em Toquio e me mostrou todos os lugares que costumava frequentar, enquanto usava um aplicativo no smartphone para se comunicar comigo", diz a fotógrafa. (Crédito: Desiré Van Den Berg)
Van Den Berg diz que o fato do Japão estar cheio de subculturas, como o B-Style, e não ser comum uma pessoa encarar outra no meio da rua, as pessoas têm mais liberdade para se comportarem como querem. "Quando andava na rua com Hina, ninguém parecia se impressionar com ela, talvez porque havia gente ainda mais esquisita passando pela gente. E, como não se trata de um movimento novo, as pessoas já estão acostumadas", afirma a fotógrafa. (Crédito: Desiré Van Den Berg)
Segundo Van Den Berg, a cultura B-Style já foi maior. Hoje, eles são poucos e é preciso procurar por eles. "Hoje só existem alguns 'b-stylers' em cada cidade. Com certeza, não é algo comum. E talvez tenha ficado algo pequeno demais para sequer chamarmos de subcultura", diz a fotógrafa. "Talvez seja porque seu estilo lembre tanto os anos 1990. Mas, como agora esta época está voltando à moda, talvez este estilo volte a ficar popular." (Crédito: Desiré Van Den Berg)

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