Os dez maiores filmes da história do cinema… que nunca foram feitos

Se você perguntar a qualquer cinéfilo qual foi o maior projeto não concluído da história do cinema, há grandes chances de ele responder "Napoleão", de Stanley Kubrick. O diretor passou anos pesquisando sobre a vida do imperador francês, e seu projeto era trabalhar no filme logo após o lançamento do clássico "2001: Uma Odisseia no Espaço". Oskar Werner seria Napoleão e Audrey Hepburn, a esposa Josefine. Mas o estúdio MGM cancelou o caríssimo projeto. Há rumores de que Steven Spielberg quer retomá-lo em formato de minissérie, a ser dirigida por Baz Luhrmann.
Influenciado por "Blow-Up - Depois Daquele Beijo", de Michelangelo Antonioni, Alfred Hitchcock disse que sentia que seus próprios filmes estavam ficando ultrapassados. Ele queria filmar algo ousado, com nudez, violência e tensão homoerótica. Seu projeto "Kaleidoscope" tratava de três assassinatos: em uma cachoeira, em um navio de guerra e em uma fábrica. Devido aos altos custos, a MCA/Universal abandonou o projeto. Parte do que havia sido filmado como testes foi usado no filme "Frenzy: perigo na noite", de 1972.
Depois de completar "Era Uma Vez na América", em 1984, Sergio Leone queria fazer um épico de guerra. Ele havia devorado o livro "Os 900 dias: O Cerco de Leningrado", do historiador Harrison Salisbury, sobre a Segunda Guerra. No filme, Robert De Niro seria um fotógrafo americano em Leningrado nos dias do cerco alemão. Leone já tinha conseguido um financiamento de US$ 100 milhões da União Soviética e assegurado a participação do compositor Ennio Morricone para a trilha. Mas o projeto acabou com a morte súbita de Leone em 1989, aos 60 anos, em decorrência de um ataque cardíaco.
O cineasta Luchino Visconti nunca teve medo de encarar adaptações grandiosas de obras literárias conhecidas. Sua versão de 1963 do clássico "O Leopardo", de Giuseppe di Lampedusa, tinha três horas e meia. Ele tentou fazer um filme de quatro horas baseado nos sete volumes de "Em Busca do Tempo Perdido", Marcel Proust, e passou anos pesquisando na Normandia e Paris. Mas o orçamento era alto demais e o filme nunca foi financiado. Uma tentativa semelhante do cineasta americano Joseph Losey, com roteiro de Harold Pinter, também fracassou.
Depois do aclamado épico "Days of Heaven", de 1978, Terrence Malick mudou-se para Paris, passou a evitar compromissos públicos e se dedicou a vários projetos nos anos 1980. Entre eles estava uma adaptação do clássico existencial de Walker Percy "The Moviegoer", sobre um homem que se sente alienado em relação aos demais e procura o significado da vida em filmes e livros. O projeto nunca se materializou, mas é possível ver ecos deste pensamento em filmes posteriores de Malick, como "A Árvore da Vida" e "Amor Pleno".
Orson Welles era tido como um garoto prodígio do rádio e do teatro no começo dos anos 1940. A RKO Pictures se propôs a bancar os dois primeiros filmes dirigido por Welles sem interferência na edição, desde que ele não ultrapassasse o orçamento. Seu primeiro projeto era adaptar o livro "Coração das Trevas", de Joseph Conrad. Welles seria o narrador do filme, Marlow, que só apareceria nas cenas iniciais em um jogo de sombras e espelhos. A câmera seria sempre focada no ponto de vista de Marlow. Mas Welles não obedeceu o orçamento, e o projeto fracassou. Em seu lugar, Welles trabalhou em "Cidadão Kane".
"Coração das Trevas" não foi o único fracasso de Orson Welles. Outro projeto não realizado foi uma biografia de Jesus, com Welles no papel principal. Um projeto recorrente na carreira do ator foi Don Quixote, que seria filmado nos dias atuais. Frank Sinatra, amigo do cineasta, chegou a investir US$ 25 mil no projeto, mas Welles nunca conseguiu financiar sua visão. Parte do que conseguiu filmar é exibido até hoje em festivais de fãs de Welles.
Terry Gilliam também fracassou em uma tentativa de levar o clássico de Cervantes às telas. O filme teria Johnny Depp no papel de um executivo de marketing que viaja no tempo e encontra Don Quixote, vivido pelo ator Jean Rochefort. Quixote acredita que o executivo é Sancho Panza e os dois partem para viver suas aventuras. Mas Rochefort ficou doente em 2000 e as dificuldades de obter um seguro de vida para o ator completar o filme impediram a realização do projeto. O material filmado faz parte do documentário "Lost in La Mancha". Em 2010, Gilliam tentou ressucitar o filme com Robert Duvall e Ewan McGregor - mas fracassou novamente.
Impressionado com o filme "Eraserhead", de David Lynch, de 1977, Mel Brooks e seu produtor pediram que Lynch trabalhasse para eles. Lynch escreveu um roteiro sobre um detetive que viaja para outra dimensão e encontra um adolescente de um metro de altura que precisa ficar constantemente ligado a um cabo de eletricidade devido a um problema médico. O adolescente acaba se tornando um roqueiro chamado Ronnie Rocket. O projeto era comercialmente inviável, e Lynch acabou trabalhando com Brooks na adaptação de "O Homem Elefante".
Joseph Stalin e o governo soviético não viam Sergei Eisenstein com bons olhos nos anos 1920. Por isso, o diretor foi para Hollywood após uma série de viagens pela Europa Ocidental e Estados Unidos. O produtor Jesse L. Lasky ofereceu US$ 100 mil para o soviético dirigir uma adaptação do livro "Uma Tragédia Americana", de Theodor Dreiser, em abril de 1930. Mas o roteiro apresentado por Eisenstein era tão deprimente que o contrato foi rompido e Lasky pagou a passagem de volta de Eisenstein para Moscou.

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