O “terminal” Jack Nicholson. Ou o lixo jornalístico dos maus-caracteres


Fernando Brito, Tijolaço  

"Eu tenho uma profissão e me orgulho dela, porque percebo na informação e na opinião um valor coletivo.

Não sou um canalha, um fofoqueiro, um mentiroso e desprezo tudo o que faz o jornalismo ser, frequentemente, assim.

Erro, como qualquer pessoa, e não sou mais sabido que ninguém. E, assim que o percebo ou sou avisado, corrijo. Quando necessário, peço desculpas.

Mas não admito ficar calado quando vejo coisas repugnantes.

E foi assim a matéria do Estadão dizendo que o ator americano Jack Nicholson  estava em “estado avançado” do Mal de Alzheimer e sequer “se lembra mais quem é”, reproduzindo (sem link) uma suposta reportagem da sensacionalista revista Star, que em lugar algum do mundo foi levada a sério.

Aqui, porém, agiu-se de maneira totalmente irresponsável e desumana, ao noticiar assim a imaginária degradação de vida de uma pessoa, e de uma pessoa notória e admirada.

Pior, o texto da matéria mostra que quem a escreveu sabia que era mentira, porque o ator assistiu, no domingo, ao lado do filho, um jogo do seu time de basquete, o Los Angeles Lakers.

Perfeitamente bem e falando normalmente no vídeo que o próprio jornal menciona.

Ora, quem escreveu a matéria sabia, um certo João Assis, então, que a “notícia” era mentirosa e, ainda assim, deliberadamente puxou-a para o título, em busca de “impacto”.

Uma atitude de mau-caráter.

Que o jornal, a empresa O Estado de S. Paulo, corrobora, porque a matéria está no ar e não há sequer um registro de que é improcedente o “estado avançado”, inclusive com demência, de Nicholson.

Um desrespeito não só à pessoa retratada, mas às milhões de pessoas que sofrem de Alzheimer ou tem parentes e amigos nesta condição.
Mas o “jornalismo-celebridade” não conhece ética, não conhece dignidade humana, não conhece respeito.

É gente chafurdando no lixo e empurrando lixo sobre a sociedade.


Hoje, mais cedo, escrevi sobre isso na política.

Jornalismo-lixo existe em todos os países do mundo. Mas, aqui, generalizou-se, por conta de empresas dominantes no mercado que fazem disso instrumento de seus interesses econômicos e políticos.

Leitor é alguém que deve ser atraído, influenciado e comercializado pela propaganda.

Não importa a que custo e com que métodos.

Mas eles são os “limpos” e nós os “sujos”.

Ainda bem que não somos tão limpos como eles."

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