A perseguição secular


WeiWei diante de olhos contrários
à sua ação política

O documentário "Ai WeiWei - Sem Perdão" traz a vida dos artistas chineses Ai Qing e Ai WeiWei, pai e filho que lutaram pela liberdade de expressão no país


Ai WeiWei - Sem Perdão
Alison Klayman

Nos anos 1950, o poeta moderno chinês Ai Qing pagou o preço do desafio ao regime comunista, ainda que ligado ao partido. Foi vigiado, proibido de publicar e enviado a um campo de trabalhos forçados. Mais de meio século depois, tratamento similar em outras circunstâncias é dado a seu filho, Ai WeiWei, um dos mais influentes artistas do cenário internacional e proeminente ativista pela liberdade de expressão na China. Vítima constante das autoridades do país, ele segue vigiado como o pai, agora por câmeras, não pode expor suas obras ou se manifestar pelas redes sociais e foi preso sob a alegação de fraude de impostos. Enquanto cumpria pena, seu estúdio era desmantelado. A diferença entre pai e filho talvez resida em formas possíveis de conhecimento e denúncia, como documenta Ai WeiWei - Sem Perdão, estreia de sexta 9 no CineSesc.

No filme de Alison Klayman, flagra-se o artista em meio à realização, em 2008, do estádio Ninho de Pássaro para a Olimpíada de Pequim. Mais tarde WeiWei acusaria o projeto de ser propaganda política do partido, declaração que cerrou o cerco a ele. Mas a iniciativa de maior provocação é o mais detalhado aqui. Naquela ocasião, o chinês reuniu os nomes dos 70 mil mortos no terremoto de Sichuan, a maior parte estudantes, e os expôs num grande mural. A obra exemplifica a constante união de arte e engajamento político em sua produção, que pode ser um solo coberto de sementes de girassol de porcelana pintada, na Tate Modern de Londres, ou a famosa foto em que ele levanta o dedo do meio à câmera em resposta ao autoritarismo de seus algozes.”

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