Estudo de rostos revela ciência da primeira impressão

Seis faces e suas versões ilustradas, incluindo a do autor do estudo, Tom Hartley (o 2º da esq. para dir.)
"Mostra-me a foto do teu perfil do Facebook e te direi quem és". Poderia ser uma máxima atualizada a partir das conclusões de um novo estudo de cientistas britânicos.

Jonathan Webb, BBC Brasil 

 Todos fazem julgamentos sociais baseados nos rostos de estranhos, mas agora pesquisadores calcularam matematicamente como os atributos físicos podem influenciar as primeiras impressões.

Analisando mais de mil fotos, eles afirmaram que pequenas mudanças nas dimensões de um rosto podem transmitir uma personalidade mais confiável, a ideia de liderança ou despertar atração.

Os resultados, publicados na revista científica PNAS (Procedimentos da Academia Nacional de Ciências), podem ajudar a guiar as pessoas a escolher as suas fotos mais apropriadas para ilustrar diferentes situações.

Esse campo de estudos não é novo, diz Tom Hartley, cientista especialista em neurociência da Universidade de York, a diferença é que o seu trabalho traz dados matemáticos que explicam o fato.

Estudo criou escala matemática para avaliar rostos

"Se as pessoas constroem primeiras impressões apenas ao olhar para a cara de alguém, o que no rosto daria essa impressão? Podemos medir isso com precisão?, instiga.

As primeiras impressões positivas se fazem ainda mais importantes em um mundo dominado por redes sociais, ele observa. Por isso, a aplicação do seu modelo numérico nas fotos que as pessoas usam na internet tem inclusive um potencial comercial.

Simpático, líder, sexy

Para fazer seus cálculos, os pesquisadores mostraram cada uma das mil fotos de rostos coletadas na internet para pelo menos seis pessoas diferentes, que as classificaram segundo 16 características, como confiabilidade e inteligência.

Estas avaliações foram divididas em três características principais: se o rosto é a) simpático; b) líder; ou c) atraente.

Ao medir os atributos físicos desses mil rostos e relacioná-los às habilidades avaliadas, Hartley e sua equipe construíram um modelo matemático que mostra como as dimensões faciais produzem essas três impressões.
Combinando esses dados, eles conseguiram prever mais da metade das respostas que as pessoas dariam em uma pesquisa sobre rostos.

As expressões faciais podem fazer diferença na forma como somos vistos por um estranho
"Ficamos surpresos com o sucesso das taxas de acerto sobre esses julgamentos, baseados apenas em imagens", disse Hartley.
O passo seguinte foi extrapolar os dados para o computador. Usando o novo modelo, a equipe produziu versões ilustradas dos rostos em escalas que variavam entre menos e mais simpático, líder e atraente.

Quando aplicaram a fórmula para prever as respostas que os participantes dariam para cada um dos rostos ilustrados, as coincidências seguiram tal e qual: as pessoas consultadas disseram que a caricatura de um rosto amigável era, de fato, simpática - e assim ocorreu com os demais.

Podemos dizer, então, que este trabalho revela que formato de mandíbula humana parece mais confiável, ou que formato das sobrancelhas, mais assertivo?

Hartley é cauteloso. "Muitas das características faciais tendem a variar quando estão em conjunto", pondera.

"Portanto, é muito difícil para nós determinar com certeza qual característica particular da face contribui para uma certa impressão social."

Na dúvida, sorria

No entanto, existem algumas tendências óbvias: por exemplo, o rosto com um sorriso largo é muitas vezes visto como mais amigável e confiável.

Diante o auge das selfies, não é uma má idéia saber quais fotos dão melhor impressão.

Para Hartley, é uma descoberta potencialmente útil quando pensamos na quantidade de tempo que gastamos no Facebook (afinal, o "livro dos rostos", por sua tradução do inglês).

Se há um lado positivo nisso, também existe um elemento de preocupação: as expressões faciais superficiais podem interferir negativamente na forma como somos vistos por estranhos.

"Pode ser problemático se você está formando julgamentos baseados nessas impressões fugazes", disse Hartley.

"Especialmente no mundo de hoje, onde vemos apenas a imagem de um rosto nas redes sociais e formamos uma impressão com base nisso."

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