As 10 melhores continuações do cinema


"Os estúdios normalmente tratam as continuações como uma oportunidade de faturar mais em cima de um filme de sucesso. Mas, em termos de narrativa, uma sequência pode abrir várias possibilidades – examinar a trama do filme original a partir de uma nova perspectiva ou saber o que aconteceu com os personagens depois do fim da primeira história.



Aqui estão dez filmes que, na opinião da equipe da BBC Culture, superaram seus antecessores.

'O Poderoso Chefão 2' (1974)

O Poderoso Chefão 2, de Francis Ford Coppola, consegue capitalizar no sucesso de seu original e apresentar um novo ângulo para a trama. E tenta ir ainda mais longe que o primeiro filme.

Essa continuação é uma visão da identidade americana no século 20, um caldeirão de culturas com narrativas que se entrelaçam tocando em temas como a experiência dos imigrantes, a pobreza urbana, a discriminação étnica e até a política externa dos Estados Unidos, com uma sequência inesquecível se passando na véspera da Revolução Cubana, em 1959.

O filme pega o entorno gângster de O Poderoso Chefão e o enfia na alma da nação.

'Antes do Pôr-do-Sol' (2004)

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As melhores continuações são aquelas que trazem novas possibilidades narrativas em vez de apostar na fórmula que fez do primeiro filme um êxito. É isso o que Antes do Pôr-do-Sol, de Richard Linklater, consegue fazer com tanta proeza.

O filme encontra Jesse (Ethan Hawke) e Céline (Julie Delpy) nove anos depois de terem vivido os acontecimentos de Antes do Amanhecer (1995), quando se conheceram por acaso em um trem e passaram uma noite juntos em Viena, onde se apaixonam mas se separam.

O primeiro filme é uma fantasia escapista. Mas o segundo se concentra nas expectativas frustradas, na tristeza diante da passagem do tempo e no arrependimento quanto às loucuras da juventude. Assim como as melhores continuações, ele alavanca o predecessor.


'Sherlock Holmes – Desforra em Argel' (1945)

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Uma das primeiras franquias de Hollywood foi a série de 14 filmes do personagem Sherlock Holmes, com Basil Rathbone no papel do detetive e Nigel Bruce como Dr. Watson e iniciada com O Cão dos Baskervilles, em 1938.
O ponto alto dessa colaboração é o 12º filme, Desforra em Argel, um thriller tenso que se passa a bordo de um pequeno barco a vapor.

O filme desliza com estilo e perspicácia, baseado mais em um inteligente jogo de palavras e menos em efeitos de cena.

Hoje, é praticamente obrigatório que um filme de continuação seja mais caro que o anterior, mas durante muito tempo eles eram até mais baratos. Foi o caso de Desforra em Argel.

A economia feita nas filmagens acabou compensando: a "neblina" que encobre os cenários de má qualidade cria um clima muito interessante, e a falta de perseguições ou lutas deixa a história mais centrada nos personagens, permitindo que os atores brilhem.

'Jornada nas Estrelas 2 – A Ira de Khan' (1982)

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A primeira continuação para o filme Jornada nas Estrelas, de 1979, aproveitou o "efeito Desforra em Argel".

Como tinha um orçamento muito menor que o original – um filme bonito e poético no qual falta drama -, o diretor Nicholas Meyer dispensou grandes efeitos especiais para se concentrar nos diálogos.

A Ira de Khan é uma batalha de desejos entre o almirante James T. Kirk (William Shatner) e seu maior inimigo, Khan (Ricardo Montalban). Exceto por algumas panorâmicas espaciais, a maioria da ação é filmada em close em cenários de espaçonaves.

Meyer estava mais preocupado com os rostos dos atores do que com efeitos cósmicos. E isso fez do filme um dos mais venerados da história da ficção científica.

'A Saga do Judô – Parte 2' (1945)

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O cineasta japonês Akira Kurosawa nunca foi tão elegante quanto em seus primeiros filmes, que incluem um épico sobre o judô contado em dois capítulos.

Seus filmes posteriores transbordam de brio masculino e violência inesperada, mas os filmes de A Saga do Judô mostram como a disciplina das artes marciais pode levar ao refinamento da alma.

A segunda parte se concentra particularmente na contenção da violência, com o personagem principal - Sugata Sanshiro, um mestre do judô cujo amadurecimento foi o tema do primeiro filme - provando sua força ao se recusar a derrubar um oponente americano. O final, com um duelo silencioso sobre a neve, é inesquecível.

'2046 – Os Segredos do Amor' (2004)

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Amor à Flor da Pele deixou o romântico inveterado Chow Mo-wan (Tony Leung) de coração partido e arrependido. Depois que seu quase envolvimento com Su Li-zhen (Maggie Cheung) acaba, ele viaja para Angkor Wat, no Camboja, e sussurra o segredo de seu amor em um buraco na parede do antigo templo.

O buraco se torna um abismo que ameaça consumir Mo-wan em 2046 e se torna recorrente durante todo o filme, quando o escritor tenta afogar as mágoas por seu amor não consumado por outras mulheres.

2046 – Os Segredos do Amor é um poema de memórias que é melhor descrito como uma música visual do que como uma história. Se Amor à Flor da Pele é o tema, 2046 é a variação.

'Aliens, o Resgate' (1986)

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A atriz Sigourney Weaver praticamente inventou o conceito de heroína de ação em Alien, o 8º Passageiro, apesar de ela ser praticamente "a única mulher que sobra".

Foi preciso que o diretor James Cameron transformasse a franquia de algo "liderado por uma mulher" a um produto genuinamente feminista, com esta continuação muito superior, Aliens, o Resgate.

Enquanto a personagem Ripley praticamente tropeça em sua própria sobrevivência no primeiro filme, no segundo ela é uma profissional durona, pronta para enfrentar batalhas.

Aliens é essencialmente um épico de guerra sobre o conflito entre duas tribos guerreiras, cada uma liderada por uma mulher destemida (Ripley e a rainha alienígena) que consegue ter força e poder por causa de seus suaves instintos maternais.

'Indiana Jones e a Última Cruzada' (1989)

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Os Caçadores da Arca Perdida estabeleceu o modelo para os filmes modernos de aventura e revolucionou a maneira como cenas de ação são gravadas.
Mas sua sequência Indiana Jones e a Última Cruzada foi além: e se tornou um rico estudo de personagem, no qual o corajoso arqueólogo (Harrison Ford) e seu pai (Sean Connery), que praticamente não se falaram por 20 anos, se unem para procurar pelo Santo Graal.

A busca pelo Cálice Sagrado tem sua simbologia no filme, pois, assim como nas lendas originais medievais, trata de uma jornada interna rumo à maturidade.

Isso pode ser resultado de o roteiro ter recebido um incrível retoque do dramaturgo Tom Stoppard, que, segundo o diretor Steven Spielberg, escreveu boa parte dos diálogos. É por isso que este é um sério candidato a ser o filme de ação mais bem escrito de todos os tempos.

'Por Uns Dólares a Mais' (1965)

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Antes de enveredar pelo caminho de histórias longas com Era uma Vez no Oeste, o mestre do spaghetti western Sergio Leone deu sequência a seu influente Por Um Punhado de Dólares com esta surpresa perfeitamente estruturada, Por Uns Dólares a Mais.

O filme segue dois caçadores de recompensas (Clint Eastwood e Lee Van Cleef) que acabam se juntando para buscar e matar um marginal malvado (Gian Maria Volonté).

Talvez seja o filme de comparsas mais sério da história; e, em termos de precisão do tom e da técnica, é um avanço enorme em relação ao original.
O filme também marca a primeira vez em que Leone experimenta com os tempos, demorando muito mais nos preparativos para os tiroteios do que nos próprios, sempre com closes penetrantes e a música áspera de Ennio Morricone.

'O Império Contra-Ataca' (1980)


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O segundo capítulo da saga Guerra nas Estrelas, de George Lucas (ou Episódio 5 no total), nos leva a um canto obscuro daquela galáxia distante.

Enquanto o primeiro filme, Guerra nas Estrelas, se deleitava em triunfo e catarse, O Império Contra-Ataca tem heróis derrotados, feridos e foragidos.

Para sua construção, o filme se inspira nas raízes mais elementares do cinema – como a sequência da Batalha de Hoth, encenada mais como uma cena de D. W. Griffith de seis décadas antes.

Ele também imprime inúmeras imagens em nossas cabeças: vermes espaciais gigantes que mastigam naves, uma cidade flutuando nas nuvens, uma nave saindo de um pântano, um campo de lixo espacial flutuando no vazio cósmico, um cavaleiro segurando sua mão amputada.

O Império Contra-Ataca processou e aprofundou o sucesso de Guerra nas Estrelas a ponto de ainda ser a primeira franquia do cinema mundial. O filme mostrou que é possível ter uma luz ainda mais brilhante quando se está nas trevas."

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