Um passeio pela verdadeira Westeros de ‘Game of Thrones’

Sucesso do seriado aumentou turismo e injetou milhões na economia da Irlanda do Norte
O inverno está chegando”, diz o ditado em Westeros. E, honestamente, já estava na hora.



Para os devotos da série Game of Thrones, da HBO, os últimos dez meses representaram uma longa e sofrida espera. Mas no último domingo, os fãs brasileiros e americanos puderam finalmente se arrepiar com a empolgante música da abertura e gritar incrédulos enquanto os personagens são dizimados de maneira brutal e macabra.

Uma prova da popularidade e do apelo do programa pode ser encapsulada em um único momento: a visita que a rainha Elizabeth 2ª fez aos cenários do seriado em Belfast, capital da Irlanda do Norte, em junho de 2014. Ali, a monarca britânica admirou o fictício Trono de Ferro (feito com milhares de espadas fundidas pelo hálito de um dragão), mas educadamente se recusou a se sentar nele.

Game of Thrones é uma verdadeira produção internacional, com locações na Croácia, em Malta, no Marrocos, na Islândia e na Espanha. Mas a maior parte das filmagens acontece na Irlanda do Norte.

Incentivo irlandês

O túnel de árvores Dark Hedges se tornou a Avenida do Rei na série

A relação da região com a série começou em 2008, quando representantes da Northern Ireland Screen se reuniram com executivos da HBO em Los Angeles. A agência estava determinada a atrair a produção para a Irlanda do Norte e convidou os executivos para um giro de familiarização com o local, contribuindo com US$ 4,75 milhões para o programa piloto, na esperança de que ele virasse um seriado.

Enquanto as cenas interiores são filmadas nos enormes estúdios da Titanic Studios, em Belfast (assim batizados porque o local serviu para parte da construção do Titanic), a produção faz um ótimo proveito das paisagens rurais e litorâneas do país.

Inúmeras locações já serviram como regiões e reinos fictícios, muitas realçadas por efeitos especiais que ajudam a transformá-las em algo verdadeiramente de outro mundo.

Para um seriado como Game of Thrones, a capacidade de um só lugar de oferecer uma variedade de visuais e estilos não tem preço.

'Mina de ouro'

Eu entrevistei Robert Boake, gerente e supervisor de locações da série, enquanto ele percorreu a Irlanda do Norte de carro em busca de locais que serão usados na já anunciada sexta temporada.

Segundo ele, filmar no país tem enormes vantagens. “Uma das características das paisagens é que elas nos passam uma grande sensação de passado. Há castelos antigos e ruínas que combinam perfeitamente com a trama do seriado. E muitas vezes encontramos construções inabitadas ou suficientemente intactas para servirem de cenário”, conta.

Na primeira temporada, os telespectadores foram convidados para o Norte de Westeros, particularmente a terra de Winterfell. Habitada pelos Starks (possivelmente a mais azarada das famílias em uma série cheia de famílias azaradas), Winterfell é na realidade o Castelo de Ward, em County Down.

Pertencente à família Ward desde o século 16, essa propriedade de 332 hectares é um dos maiores domínios ainda existentes na Irlanda. O local apresenta vários estilos arquitetônicos em sua extensão, variando do gótico ao georgiano.
Foi aqui que Ned Stark recebeu o rei Robert Baratheon antes de aceitar o amaldiçoado cargo de Mão do Rei.

Boake admite que cada nova temporada representa um desafio para achar novas locações para exibir aos espectadores. “Por um lado, é mais fácil porque você já conhece bem o lugar e sabe onde ir. Por outro lado, penso: ‘será este ano que vou acabar com o estoque de locações?’”, diz.

Segundo ele, a quinta temporada é a que mais usou locações externas até agora. “Toda hora descobrimos novos lugares absolutamente incríveis – e acho que não chegamos nem perto ainda da mina de ouro que é o interior deste país”, afirma.

Autenticidade

A cada nova temporada, o elenco e a equipe técnica se espalham mais e exploram mais a Irlanda do Norte, inclusive seu acidentado litoral. A Praia de Downhill, em County Londonderry, uma faixa de areia de 11 quilômetros que se abre para o Atlântico, serve como o cenário para a Pedra do Dragão e contribuiu para uma das cenas mais inesquecíveis da série. Foi aqui, na segunda temporada, que os Sete Deuses de Westeros foram queimados e que a Sacerdotisa Vermelha, Melisandre, proclamou que “a noite é escura e cheia de terrores”.

A paisagem realmente transmite a sensação de que poderia existir em uma terra de gigantes e dragões, em um mundo no qual você pode andar por vários dias sem encontrar outra alma viva.

Para um seriado tão fantasioso, as locações trazem um ar de autenticidade. Se um personagem se coloca no topo de uma montanha, com o vento soprando a seu lado, sabemos que ele está verdadeiramente experimentando os elementos da natureza em toda a sua glória.

E se uma cena ou locação parece acontecer em um lugar remoto, é provável que a equipe de produção tenha gasto uma enorme quantidade de tempo, energia e dinheiro para chegar até lá.

Atraindo multidões

As locações agora viraram uma pequena indústria. Vários passeios temáticos sobre Game of Thrones mostram aos turistas as regiões usadas nas filmagens. O promontório de Larrybane (onde Renly Baratheon acampou durante a segunda temporada) e as cavernas de Cushendum, em County Antrim (onde a sacerdotisa Melisandre dá à luz uma criatura de sombra) agora se tornaram atrações turísticas genuínas.

Para Boake, a experiência é ligeiramente surreal. “Nunca imaginaria que encontraria na estrada esses ônibus levando turistas para os lugares que eu encontrei em 2008”, ri.

O seriado trouxe ainda muitos benefícios para a Irlanda do Norte, tendo criado 900 postos de trabalho em período integral e 5,7 mil vagas de meio período, e injetou quase US$ 120 milhões diretamente na economia local.

Isso sem falar na quantidade de vantagens não quantificáveis que aparecem quando se está associado a um dos maiores e mais populares programas da TV mundial.

Para muitos fãs da série, a Irlanda do Norte se tornou a concretização de Westeros na vida real."

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