O Espetáculo de A Travessia

Guilherme Souza, geekness 

O cinema permite que praticamente qualquer história seja contada. Uma boa equipe de direção, roteiro e um cast empenhado podem transformar algo regional em universal, algo limitado em um espetáculo. Assim se constrói A Travessia, novo filme de Robert Zemeckis (De Volta Para o Futuro, Forrest Gump).

A Travessia conta a história de Philippe Petit (Joseph Gordon-Levitt), equilibrista que ficou famoso por atravessar as Torres Gêmeas em 1974. Em 3 atos, o filme explora a infância e origem do desejo pela arte, o planejamento da travessia, e, por fim, a travessia em si, a catarse de Petit, a vitória e purificação do artista em comunhão com sua arte.

É sobre a arte que o filme trata. Sobre as diferentes maneiras de se criar arte, sobre artistas de rua, por vezes desmerecidos pela sua situação, e, acima de tudo, sobre os limites que um artista se dispõe a superar para criar cada vez mais. Não a toa, há diálogos através do filme que expressam isso, a vanguarda, a criação de algo acima do que se há palavra para descrever. Como um homem atravessando uma corda pode causar tanta comoção? E, ainda mais, como pode causar algo que as pessoas não conseguem descrever? Esse é o trabalho da arte, e Zemeckis entendeu isso muito bem.


Sua direção também engrandece ainda mais a proposta do filme. Com sua maneira própria de contar histórias, o diretor consegue dar um aspecto poético para as ações de Petit, com planos e transições que interagem de forma belíssima (o uso das cordas, a maneira como a travessia em si foi adaptada). 

Há também uma interessante experimentação com o 3D, cuidadosamente feita para nos colocar na pele de Petit e nos fazer atravessar os prédios com ele. E isso funciona de forma espetacular, tanto que há relatos de pessoas com vertigem ou outros problemas após certas cenas do filme. Em uma época onde temos muitos filmes com um 3D desnecessário e desleixado, A Travessia se destaca.

Entre tudo isso, ainda houve espaço para o diretor criar sua declaração às Torres Gêmeas. Colocadas ali para relembrar a coragem em sua criação, a arte presente ali, uma lembrança boa delas, fugindo de várias outras produções que decidem lembrar do terror do terrorismo que as encerrou.

A Travessia é um filme otimista. Mais um neste ano, entre outros como Perdido em Marte ou Tomorrowland. Engrandece a arte e o artista, homenageando não apenas Petit, mas todas as pessoas que estão quebrando limites, assumindo a vanguarda e se entregando de alma a sua paixão pelo que cria."

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