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Matar muitos ninguéns: "Sniper Americano", de Clint Eastwood

"Eastwood sabe filmar as pessoas na guerra. No caso da guerra do Iraque, desistiu da qualidade do seu cinema. Que pena. 

Francisco Louçã, Carta Maior

Clint Eastwood, ator mediano de filmes medianos, mas cujo charme ingênuo (a “trilogia dos dólares” no texto_detalhe spaguetti de Sergio Leone, “Por um Punhado de Dólares”, 1964, “Por uns Dólares a mais”, 1965, e “O Bom, o Mau e o Feio”, 1966) ou cuja violência policial num mundo sem lei (“Dirty Harry”, 1971, “Magnum Force”, 1973, “Sem Medo da Morte”, 1976, “Impacto Fulminante”, 1983, “Dirty Harry na Lista Negra”, 1988) lhe criou uma fama persistente, é hoje uma das figuras dominantes de Hollywood.

O filme “Sniper Americano”, fenômeno nos EUA, é uma peça de propaganda para glorificar um psicopata


, DCM

"A chave de “Sniper Americano”, o novo filme de Clint Eastwood que virou fenômeno nos EUA (90,2 milhões de dólares na estreia em janeiro, a maior de todos os tempos nesta época do ano) é um monólogo do pai do personagem central Chris Kyle.

Existem, diz ele para os filhos pequenos na mesa do jantar, três tipos de pessoas: lobos, ovelhas e pastores. Os lobos são o mal. As ovelhas são gente boa, mas incapazes de perceber o perigo que as espreita. Por isso precisam, finalmente, dos pastores para protegê-las.

Essa simplificação moral serve de base para o que é provavelmente o longa baseado em fatos reais mais mentiroso da história. Clint perpetrou mais falsificações do que o já esburacado “Zero Dark Thirty”, de Kathryn Bigelow, com sua defesa enviesada da tortura.