Em sua
última entrevista, Pasolini afirmou: 'estamos todos em perigo'. Era uma
referência ao mundo do hipercapitalismo e da brutalidade.
Lea Maria Aarão Reis, Carta Maior
Como viveu o seu último dia de vida, em Roma, é o tema do filme de Abel
Ferrara, agora em cartaz (Pasolini/2014) no Brasil, sobre aquele que, na
opinião de vários intelectuais, foi um dos últimos e legítimos
pensadores europeus. Trata-se de mais uma homenagem cinematográfica ao
poeta, crítico, cineasta, jornalista, a quem, no seu passaporte, sempre
preferiu que registrassem, com simplicidade e abrangência: “escritor”.
Naquele dia 01 de novembro de 1972, o diretor e autor de alguns dos mais célebres clássicos do brilhante cinema italiano dos anos 60/70, autor de O Evangelho segundo São Mateus (64), Teorema (68), Medeia, de 69; Decameron (71) e Os 120 dias de Sodoma (Saló), de 1975, entre vários outros filmes inesquecíveis, naquele dia ele acordou e levantou da cama, na casa onde vivia junto da sua adorada e idosa mama, leu os jornais da manhã, deu instruções à diligente secretária (sua prima), e trabalhou, na máquina de escrever, em um roteiro do que seria sua próxima produção, no escritório do apartamento romano. Voltara de Estocolmo na véspera e aguardava a hora do almoço e a visita da atriz Laura Betti (interpretada pela portuguesa Maria de Medeiros), uma grande amiga e, à tardinha, esperou o jornalista Furio Colombo. O repórter, depois, se tornou célebre por ter sido o último a conversar com Pier Paolo, o Pierucci. Nesta entrevista, ele alertava, influenciado pelas suas leituras de Marcuse, a quem admirava: “Estamos todos em perigo”. Era uma referência ao mundo do consumismo, do egoísmo, das sociedades de massas, da brutalidade, do hipercapitalismo e da obrigatória permutação do conceito de cidadão pelo de consumidor. Um mundo que, previu, estava por vir. E veio.
Naquele dia 01 de novembro de 1972, o diretor e autor de alguns dos mais célebres clássicos do brilhante cinema italiano dos anos 60/70, autor de O Evangelho segundo São Mateus (64), Teorema (68), Medeia, de 69; Decameron (71) e Os 120 dias de Sodoma (Saló), de 1975, entre vários outros filmes inesquecíveis, naquele dia ele acordou e levantou da cama, na casa onde vivia junto da sua adorada e idosa mama, leu os jornais da manhã, deu instruções à diligente secretária (sua prima), e trabalhou, na máquina de escrever, em um roteiro do que seria sua próxima produção, no escritório do apartamento romano. Voltara de Estocolmo na véspera e aguardava a hora do almoço e a visita da atriz Laura Betti (interpretada pela portuguesa Maria de Medeiros), uma grande amiga e, à tardinha, esperou o jornalista Furio Colombo. O repórter, depois, se tornou célebre por ter sido o último a conversar com Pier Paolo, o Pierucci. Nesta entrevista, ele alertava, influenciado pelas suas leituras de Marcuse, a quem admirava: “Estamos todos em perigo”. Era uma referência ao mundo do consumismo, do egoísmo, das sociedades de massas, da brutalidade, do hipercapitalismo e da obrigatória permutação do conceito de cidadão pelo de consumidor. Um mundo que, previu, estava por vir. E veio.


















